MORRE, AOS 81 ANOS, TOMÁS DE MANJARÍN, “O ÚLTIMO DOS TEMPLÁRIOS”
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- há 6 dias
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O Caminho de Santiago se despede de um de seus moradores mais simbólicos. Tomás de Manjarín segue agora para um albergue maior, onde a hospitalidade é infinita.
Figura inesquecível do Caminho Francês, Tomás foi um dos personagens mais emblemáticos da rota. Tornou-se conhecido como hospitalero, dedicando sua vida ao acolhimento dos peregrinos no refúgio de Manjarín — um lugar simples, mas profundamente humano, onde muitos encontraram descanso, calor, alimento, café e boas conversas.
Natural de Madri, Tomás aproximou-se de grupos inspirados na Ordem dos Templários, cuja história de proteção aos peregrinos o conduziu ao Caminho de Santiago. Ao chegar à quase abandonada aldeia de Manjarín, em um dos trechos mais altos e isolados da rota, a cerca de 1.450 metros de altitude, enxergou ali um propósito: servir.
Desde 1993, manteve o refúgio ativo mesmo sem eletricidade ou água corrente nos primeiros anos, transformando o local em ponto de apoio, encontro e esperança para quem seguia a pé. Vestindo um hábito que remetia ao imaginário templário, muitos o viam como uma verdadeira luz no Caminho — não apenas pelo auxílio material, mas pela hospitalidade genuína que oferecia.
Com o avanço de problemas de saúde, Tomás precisou se afastar das altitudes extremas, e amigos e voluntários passaram a cuidar do espaço enquanto ele buscava se recuperar. Ainda assim, seu espírito permaneceu presente em cada gesto de acolhida mantido ali.
Hoje, Tomás segue adiante. E deixa um legado precioso.
Fica o exemplo de quem escolheu servir quando o frio era maior que o medo. Fica o abrigo simples, o café compartilhado, o silêncio da montanha e a certeza de que a verdadeira grandeza nasce da entrega.
Tomás não ergueu muros — construiu encontros. Não sinalizou o Caminho com placas, mas com humanidade.
Que ele continue agora sua jornada por outro trecho do Caminho, onde a hospitalidade não tem fim. E que cada peregrino que passou por Manjarín leve consigo o que ele melhor ensinou: acolher, respeitar e caminhar com o coração aberto.
Buen Camino, Tomás.






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