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AS PEDRAS Jairo Ferreira Machado
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MEU CAMINHO

Passos, pedras, pontes
Passarada
E eu no caminho...
no meu caminho...
O caminho é força da Natureza derramada
Sobre minha cabeça ardente
Da terra nem sempre serena
Acolhendo meus pés
Raízes impermanentes
Num dia, o sol sobre o trigo ceifado
De Navarra
Dourado, fértil, em pão
Noutro, a ocre Castilha
Árida, ávida de brotação
Pedras, pedras e pedras
Em Leon esparramadas
Mundo secreto e quieto
De resistência, disciplina e organização
Outro amanhecer na verde Rioja
Doces vinhedos perfumados
Que me deram o vinho e o riso solto
A amizade

Encantada Galícia De outono vestida
Da erva-doce cheirosa
Da trilha mais sinuosa
Cortando bosques
Com riachos falantes
Sob medievais pontes
E toda essa paisagem
Lembra-me o quintal da minha infância
Onde a melhor fruta das árvores tirava
Das flores cheias de sol
O perfume buscava
Minha bússola é a seta amarela
Colorindo árvores, muros, o chão
Clarão no rumo certo
Dando sentido ao Desconhecido
Pés e cajado pisaram história e tradição
Descobrindo o mapa espanhol
De campos verdejantes
De castelos e igrejas
Com sinos toantes
O caminho é o grito de minha alma
Na voz gelada e triste
Do vento em Foncebadón
Nos gritos dos gansos em Manjarín
É alento na sopa de alho que purifica
Meu corpo cansado
Magoado
Meu movimento em direção ao sagrado
É aquele do viajante buscando
O céu e o sol poente
Vida minha: nascer e morrer sempre
Com a força do fogo
A temperança do ar
A fertilidade da terra
A docilidade do mar
Meu movimento em direção ao sagrado
É o Caminho , é Santiago
Buscando a mim, o outro, a vida
É Liberdade, Tolerância, Verdade
Sigo sozinha na multidão
Atenta, confiante, coração-vieira, mente quieta
No silêncio e na oração
Que me faz forte
Que me faz feliz
Livre...
Ligia Maria Knabben Becker
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