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CAMINHO DA FÉ DE TAMBAÚ A APARECIDA
Maria Bedim
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É uma rota de peregrinação, em meio a uma fascinante
natureza, seguindo as setas amarelas, indicativas do caminho, atravessando
povoados, plantações, vilas, rios bosques, montanhas e cidades, numa aventura
inesquecível. As pessoas que encontramos no caminho, incentivam-nos a
prosseguir em frases como: “Bom caminho, reze por mim quando chegar a
Aparecida”.
Este caminho nos aproxima de Deus, dando-nos paz interior em uma viagem que
favorece o corpo e a alma. Saindo de Tambaú, percorremos 429 quilômetros a pé,
passando por 19 cidades até chegarmos a Aparecida onde recebemos a Mariana,
certificado que comprova a peregrinação.
Sonho de Menina
Numa tarde de setembro de 1959 estávamos ao redor do fogão à lenha, sapecando
pinhão quando papai nos surpreendeu com um grande volume nas mãos: Era o nosso
primeiro rádio. Toda a atenção da família a partir desse momento foi para ouvir
a programação do rádio: Repórter Esso, Voz do Brasil, propagandas e os
programas sertanejos de auditório que papai mais gostava. Na manhã seguinte,
acordamos mais cedo para ouvir o que dizia o nosso rádio. Papai o ligou e
gostou do que ouvia, chamando-nos para ouvir também. Era o padre Donizetti
aconselhando as crianças. Falava de um Deus amigo, que cuidava das crianças e
de uma mãe carinhosa que se chamava Mãe Aparecida. Mamãe acendeu uma vela e
colocou um copo de água perto do rádio para ser abençoada. Depois do programa,
tomamos a água e felizes fomos nos arrumar para ir à escola. Por muito tempo
foi esse nosso ritual de todas as manhãs. Sonhávamos em um dia ir a Tambaú e
conhecer o padre Donizetti.
Realização do Sonho
Visitando o site dos “Amigos do Caminho” de Florianópolis, alegro-me ao
constatar que na programação estava incluído o Caminho da Fé, para junho de
2009. Eis aí a possibilidade da realização do meu sonho de menina. Cancelei e
adiei compromissos dedicando-me ao preparo físico e espiritual para a grande e
tão sonhada jornada. Em Campinas encontrei-me com o grupo de treze pessoas com
as quais viajamos juntos até Tambaú, a cidade dos meus sonhos. Foi um dia cheio
de emoções e muitas lágrimas roladas de alegria por conhecer o local onde meu
conselheiro viveu, onde pude ouvir vários relatos de seus milagres. Nesta noite
participamos da Missa, repleta de devotos pela Trezena de Santo Antonio, e no
final, nós peregrinos, fomos chamados à frente para recebermos uma Bênção
especial, oportunidade em que foi cantado os “ Parabéns” pelo meu aniversário.
Foi a emoção maior do dia, pois nesta Igreja aconteceu o Primeiro Milagre do
Pe. Donizetti. Relata-se que a igreja queimou todinha, ficando intacta a imagem
de Nossa Senhora Aparecida com seu Manto de Seda.
Coração acelerado, pensamento em constante oração e muita disposição para andar
iniciamos nossa caminhada depois da Oração da Manhã de mãos dadas, o que me
dizia que eu estava entre amigos embora não conhecesse a maioria deles.
Durante os dezessete dias de caminhada passamos pelas mais belas paisagens, o
que fazia com que os aclives e declives acentuados parecessem degraus de
pódiuns, onde poucos têm o privilégio de subirem ou descerem para encantarem-se
com tamanha beleza. As pessoas que encontramos nos tratavam como se fôssemos
seres especiais, corajosos e capazes de realizar coisas impossíveis pela Fé que
acreditavam que possuíssemos. Já no primeiro dia, próximo da cidade de Casa
Branca eu rezava o terço e cheguei à igreja antes de concluí-lo, faltando o
quinto mistério. Quando entrei o Santíssimo estava exposto e as pessoas rezavam
o Cerco de Jericó. Logo que me ajoelhei o dirigente anunciou o Quinto Mistério
do Terço o que mexeu profundamente com minhas emoções: eu não esperava
encontrar o próprio Jesus esperando-me e um grande número de pessoas para rezar
comigo o final do Terço que iniciara no Caminho.
Em Águas da Prata dois Peregrinos juntaram-se ao nosso grupo: Aureliano, 83
anos, e seu filho, vindos de São Paulo. Sua idade chamou a atenção dos
organizadores do Caminho por ser o Peregrino de mais idoso a percorrê-lo. No
segundo dia, depois de alguns Kms andados, encontrei-o sentado num banco da
praça de uma igreja na beira do Caminho. Perguntei se estava tudo bem com ele,
e pedi a Bênção à pequena imagem da Mãezinha tocando seu manto. Seu Aureliano
perguntou-me se eu acreditava que um pensamento muitas vezes não é só
pensamento, mas é realidade. Afirmei que sim. Então me ouça: “Em casa, quando
rezava em frente a imagem parecia que Ela me dizia que queria vir comigo, foi
por isso que eu a trouxe. E hoje em minhas orações ela avisou-me que vai com
você. Então pensei em comprar outra imagem, ao chegar em Aparecida e entregar
esta à você”. Não sei explicar o que senti naquele momento, durante aquele dia
e toda a caminhada, e ainda hoje. Só sei que para sempre esta imagem física e
espiritual vai acompanhar-me como a mais fiel companheira abençoando minha
família, amigos e todas as crianças deste Brasil que sofrem injustiças.
Hoje, feliz em casa junto dos meus familiares, minhas orações são de
agradecimento a Deus e Sua Mãe que é Nossa Mãe por vontade de Seu Filho Jesus,
a minha família e aos Amigos Peregrinos que me fizeram companhia, dividindo
remédios, pomadas, lanches e frutas. Foram dezoito dias vividos em família onde
fomos “um por todos e todos por um”.
Postado em: 20/ago/2009
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